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VII
CONGRESO DO CEIB
Hélio de
Oliveira
Museólogo, restaurador e participante do VII
Congresso Internacional do Ceib
A cidade de Ouro Preto acolheu entre os dias 25 e 29 de outubro,
na Casa da Ópera, datada de 1769, o VII Congresso Internacional
do Centro de Estudos da Imaginária Brasileira – CEIB. O evento
constou de conferências, mesas temáticas, concerto, jantar de
confraternização, sessão e apresentação de pôsteres e visitas
guiadas.
Após a
abertura oficial, no dia 25, com as falas de boas vindas do
prefeito da cidade, Dr. Ângelo Oswaldo de Araújo Santos e da
presidente do CEIB, Beatriz Coelho, professora emérita da
Universidade Federal de Minas Gerais, ocorreu a primeira
conferência proferida por Dr. João Cândido Portinari, ‘O
Imaginário Religioso de Portinari’ que emocionou a todos com a
sua fala tanto como especialista, como filho do talentoso
pintor. Em seguida foi servido um coquetel no pátio entre a
igreja do Carmo e o Museu do Oratório, cujo cenário, para quem
conhece Ouro Preto, dispensa comentários.
No dia
seguinte os trabalhos foram abertos com a segunda conferência –
‘Imaginária devocional no Alto Minho na época moderna:
Encomendantes e artistas’, realizada pela Drª. Paula Cardona, da
Universidade do Porto, Portugal. Nessa manhã aconteceu a
primeira mesa temática: ‘Autorias e Atribuições’ com cinco
comunicações que muito enriqueceu aos presentes com suas
colocações e as discussões em torno dos temas abordados. Na
parte da tarde, a Drª. Maria de Fátima Eusébio, da Universidade
Católica Portuguesa, do Instituto Superior de Teologia, Viseu –
Portugal, que fez a conferência ‘A imaginária no contexto das
estruturas de talha: articulações na configuração da cenografia
barroca para abraçar a fé’. A segunda mesa teve como tema
‘Iconografia’, também com cinco comunicações tão enriquecedoras
quanto a anterior.
Depois de
um dia prenhe e enriquecedor fomos brindados com um emocionante
concerto da organista Elisa Freixo e do flautista Maurício
Freire.
O dia 27
teve inicio dos trabalhos com a conferência ‘Retábulos
escultóricos dedicados a la Virgen del Rosario em Cataluña’
proferida pela Drª. Maria Garganté Llanes da Universidade de
Girona, Cataluña, Espanha, que traçou uma belíssima trajetória
evolutiva do que se lavrou em termos de talha dedicado a Virgem
do Rosário, naquele país. A terceira mesa teve como mote os
‘Aspectos Históricos e Sociais’ que teve duas sessões com seis
comunicações apresentadas.
Neste dia
os trabalhos foram encerrados com a Assembleia do CEIB com a
possibilidade de que o próximo congresso da instituição, em
2013, seja realizado em Natal ou São Paulo. À noite houve jantar
de confraternização.
A quinta
conferência ‘Critérios para la restauración de imágenes de culto
activo: Um caso emblemático en Chile’ foi pronunciada pela M.Sc.
Mónica Bahamondez, engenheira química e diretora do Centro
Nacional de Conservação e Restauração do Chile. Um caso que além
de emblemático, no Chile, polémico no universo da restauração.
Trata-se de uma imagem de vestir que sofrera um sinistro ficando
totalmente desfigurada e teve que ser recuperada a partir da
carbonização do suporte após longo processo de consolidação até
a reconstituição da base de preparação, trabalho escultórico
para restituir a expressão facial, a intervenção por completa da
policromia da carnação (partes anatômicas) e a confecção das
novas vestes. A imagem em discussão é a padroeira do Chile,
portanto, uma imagem de alto referencial de fé para os católicos
e especialmente para os chilenos, cujo ícone faz parte da
memória social, cultural e devocional, portanto, um trabalho
válido e justificado pelo seu alto valor representativo.
Ainda
pela manhã ocorreu a quinta mesa temática ‘Materiais e Técnicas’
com três comunicações. A última mesa temática foi sobre
‘Conservação e Restauração’ e no meio da tarde a sessão de
apresentação de Pôsteres.
O
coroamento do Congresso foi realizado na manhã do sábado com
duas visitas guiadas. A primeira à Matriz de Nossa Senhora do
Pilar, tendo como condutores a Drª. Myriam Ribeiro de Oliveira,
doutora em História da Arte, e o Especialista em Cultura e Arte
Barroca e diretor do Museu do Pilar, Carlos José Aparecido de
Oliveira, mais conhecido por Caju. Contou-se ainda com a fala do
Dr. Marcos Hill que complementou a brilhante explanação a
respeito da talha, dos mestres entalhadores, estilo e
ornamentação.
Na igreja
de Santa Efigênia, além de Myriam que elucidou aos participantes
toda a evolução de como foi feita na igreja anterior, a Mestre
em Artes Visuais Carolina Proença Nardi, que é também
Especialista em Conservação e Restauração pelo CECOR, fez um
relato dos trabalhos realizados naquele templo sobre o processo
de restauração. Ela foi responsável pela restauração dos
elementos escultóricos da referida igreja. |